Juros e inflaçãoExplicador

Selic está em 13,75% após cinco cortes em 2026; próximo Copom decide em 4 de novembro

O Banco Central reduziu a Selic de 15% para 13,75% ao ano entre março e setembro. A inflação oficial acumulada em 12 meses estava em 4,22% em agosto, acima do centro da meta de 3%.

Edifício sede do Banco Central do Brasil
Foto: Senado Federal / CC BY 2.0

A taxa Selic hoje é de 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central chegou a esse nível em 16 de setembro de 2026, com um corte de 0,25 ponto percentual. Foi a quinta redução seguida no ano.

A Selic ficou em 15% de junho de 2025 a março de 2026, o nível mais alto desde julho de 2006, segundo a série do Banco Central. Desde então, o Copom passou a cortar a taxa em todas as reuniões, sempre no mesmo ritmo.

Por que importa

A Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela serve de referência para os juros do cartão, do cheque especial, do financiamento e dos empréstimos. Também serve de base para o rendimento da poupança, do Tesouro Selic e de boa parte dos CDBs.

O Banco Central usa a Selic para controlar a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, esfriam o consumo e seguram os preços. Juros mais baixos fazem o contrário: barateiam o crédito e estimulam a atividade e o emprego.

As decisões do Copom em 2026

ReuniãoData da decisãoDecisãoSelic
276ª28 de janeiromanteve15,00%
277ª18 de marçocortou 0,25 ponto14,75%
278ª29 de abrilcortou 0,25 ponto14,50%
279ª17 de junhocortou 0,25 ponto14,25%
280ª5 de agostocortou 0,25 ponto14,00%
281ª16 de setembrocortou 0,25 ponto13,75%

A nova taxa passa a valer no dia seguinte a cada decisão, segundo a série histórica do Banco Central.

Taxa Selic em pontos-chave do ciclo (% ao ano)
Jun/202410,50
Dez/202412,25
Mai/202514,75
Jun/202515,00
Mar/202614,75
Jun/202614,25
Set/202613,75

Fonte: Banco Central, série 432 do SGS, outubro de 2026

O que o Copom disse em setembro

No comunicado da reunião de 16 de setembro, o comitê avaliou que "a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta". As medidas subjacentes são cálculos que tiram da conta os preços mais voláteis.

O texto também registra que a atividade econômica mostra "moderação gradual", com mercado de trabalho aquecido. A projeção do próprio Copom para a inflação no primeiro trimestre de 2028, o horizonte que o comitê mira agora, é de 3,2%.

Sobre os próximos passos, o comitê afirmou que "a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações". E concluiu que o cenário "demanda serenidade e cautela na condução da política monetária". Em outras palavras, o tamanho total dos cortes depende dos dados que vierem.

Inflação: onde está o IPCA

O IPCA, índice oficial de inflação medido pelo IBGE, caiu 0,32% em agosto de 2026. Foi uma deflação, puxada pela conta de luz, que ficou 7,63% mais barata, pelas passagens aéreas, com queda de 13,17%, e pelos alimentos para consumo em casa, que recuaram 0,61%.

Com isso, a inflação acumulada em 12 meses desceu para 4,22%, ante 4,44% em julho. No ano, o IPCA soma 3,11%. Entre os grupos, os maiores aumentos em 12 meses foram de despesas pessoais (6,16%), educação (5,98%) e saúde e cuidados pessoais (5,84%).

IPCA acumulado em 12 meses em 2026 (%)
Jan4,44
Fev3,81
Mar4,14
Abr4,39
Mai4,72
Jun4,64
Jul4,44
Ago4,22

Fonte: IBGE, setembro de 2026

A prévia de setembro, o IPCA-15, subiu 0,70%, depois de queda de 0,40% em agosto, informou o IBGE em 25 de setembro. O número mostra que a queda de agosto não se repetiu no período medido, que vai de meados de agosto a meados de setembro. O IPCA fechado de setembro sai na sexta-feira, 9 de outubro.

Se você tem filho na escola, repare: a inflação de educação, que inclui mensalidades e cursos, ficou em 5,98% em 12 meses, acima do índice geral. Vale considerar esse número ao negociar a matrícula de 2027.

A inflação muda de cidade para cidade

O IPCA é calculado em 16 regiões metropolitanas e capitais. O Ouviram ordenou os resultados de 12 meses até agosto, com dados do IBGE. A diferença entre a menor e a maior taxa passa de 3 pontos.

RegiãoIPCA em 12 meses até agosto
Curitiba (PR)2,46%
Belo Horizonte (MG)3,39%
Salvador (BA)3,64%
Belém (PA)3,66%
Rio de Janeiro (RJ)4,41%
Brasília (DF)4,42%
São Paulo (SP)4,48%
Porto Alegre (RS)4,54%
Recife (PE)4,69%
Fortaleza (CE)4,91%
Goiânia (GO)5,75%

No Sul, Curitiba teve a menor alta do país. No Centro-Oeste, Goiânia teve a maior. No Norte, Belém e Rio Branco (4,13%) ficaram abaixo da média nacional; no Nordeste, Salvador também. Como calculamos: usamos a variação de 12 meses de cada área na tabela 7060 do IBGE. Acima, 11 das 16 áreas.

Como funciona a meta de inflação

O Conselho Monetário Nacional fixa a meta. Ela é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto: o intervalo vai de 1,5% a 4,5%. Pelo Decreto 12.079/2024, desde janeiro de 2025 a meta é contínua, medida mês a mês pela inflação de 12 meses.

A meta é considerada descumprida quando a inflação fica fora do intervalo por seis meses seguidos. Nesse caso, o Banco Central publica uma carta aberta ao ministro da Fazenda, com as causas, as medidas e o prazo de volta à meta. Isso aconteceu em julho de 2025, depois de o IPCA de 12 meses passar de 4,5% de janeiro a junho daquele ano.

Em 2026, o índice ficou acima do teto só em maio (4,72%) e junho (4,64%) e voltou para dentro do intervalo em julho. Por isso, não houve novo descumprimento no ano.

O que isso muda para você

O Ouviram calculou o juro real, que é a Selic descontada a inflação. Com a Selic em 13,75% e o IPCA de 12 meses em 4,22%, o juro real é de 9,14% ao ano. Como calculamos: 1,1375 dividido por 1,0422, menos 1.

Para quem poupa, isso significa rendimento acima da inflação. Com a Selic acima de 8,5%, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, pela Lei 8.177/1991. Títulos atrelados à Selic e ao CDI acompanham a taxa básica, com cobrança de Imposto de Renda.

Para quem deve, a mensagem é a oposta. Cada corte da Selic leva meses para chegar ao crédito, e as taxas do cartão rotativo e do cheque especial continuam muito acima da Selic. Se você tem dívidas caras, trocar por uma linha mais barata, como o consignado, costuma reduzir o custo.

Calendário das próximas datas

DataO que acontece
9 de outubro (sexta)IBGE divulga o IPCA de setembro
23 de outubro (sexta)IBGE divulga o IPCA-15 de outubro
3 e 4 de novembroReunião do Copom; decisão no fim do dia 4, quarta-feira
10 de novembro (terça)Banco Central publica a ata da reunião, às 8h
12 de novembro (quinta)IBGE divulga o IPCA de outubro
8 e 9 de dezembroÚltima reunião do Copom em 2026

A reunião de novembro começa um dia depois do feriado de Finados, segunda, 2 de novembro. A decisão sai a partir das 18h30, horário de Brasília.

O que vem agora

O IPCA de setembro, na sexta, 9, é o próximo dado que o Copom vai analisar. Nas projeções do governo usadas no projeto de Orçamento de 2027, a Selic termina 2026 em 13,44% e o IPCA do ano fica em 5,08%. Para o câmbio, que também pesa na inflação, veja a cotação do dólar hoje.

  1. 1. Quantas reuniões o Copom faz por ano?

  2. 2. Qual capital teve a menor inflação em 12 meses até agosto de 2026?

  3. 3. Qual é o centro da meta de inflação do Brasil?

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Perguntas frequentes

Qual é a taxa Selic hoje?

A Selic está em 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária do Banco Central chegou a esse nível na reunião de 16 de setembro de 2026, com corte de 0,25 ponto.

Quando é a próxima reunião do Copom?

A próxima reunião é em 3 e 4 de novembro de 2026, com a decisão anunciada no fim do dia 4. A última do ano será em 8 e 9 de dezembro.

Qual a inflação acumulada em 12 meses?

O IPCA acumulou 4,22% nos 12 meses até agosto de 2026, segundo o IBGE. O dado de setembro sai em 9 de outubro.

Qual é a meta de inflação do Brasil?

O centro da meta é 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, definida pelo Conselho Monetário Nacional. A meta é descumprida se a inflação de 12 meses ficar fora da faixa por seis meses seguidos.

Como a Selic afeta a poupança?

Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, pela regra da Lei 8.177/1991. Abaixo disso, passa a render 70% da Selic mais a TR.

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