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Queimadas de setembro são as menores desde 2003, mas Amazonas e Pará têm alta
Os focos caíram 13,6% em relação a setembro de 2025 e ficaram 58,8% abaixo da média histórica do INPE. Na Amazônia, porém, o fogo subiu 74%, num ano de El Niño.

As queimadas em setembro de 2026 foram as menores para o mês em mais de duas décadas. O satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) detectou 24.382 focos de fogo no Brasil. É o menor número para setembro desde 2003, quando começa a série anual disponível nos dados abertos do instituto, pelas contas do Ouviram.
A queda foi de 13,6% sobre setembro de 2025, que teve 28.214 focos. O recuo, porém, não foi igual em todo o país: o fogo diminuiu no Cerrado, no Nordeste e no Sudeste e avançou na Amazônia, sobretudo no Amazonas e no Pará.
O resultado chama atenção porque setembro costuma ser o pior mês do ano. É quando a seca e o calor se somam no Brasil central, e a média do mês entre 2010 e 2024 chega a 59.131 focos, segundo o INPE. Em 2026, o país ficou 58,8% abaixo dessa marca. Menos fogo significa menos fumaça sobre as cidades, menos lavouras e pastos perdidos e menos risco para quem mora perto de matas.
Fonte: INPE, satélite de referência; cálculo do Ouviram em 7 de outubro de 2026 (2026 preliminar)
A Amazônia na contramão
O Amazonas registrou 3.726 focos em setembro, quase quatro vezes os 942 de um ano antes. No Pará, o estado que mais queimou no mês, o número passou de 2.967 para 5.224, alta de 76%. Somada, a Região Norte teve 60% mais fogo do que em setembro de 2025.
Parte desse salto vem da base de comparação. Setembro de 2025 foi muito fraco na Amazônia: no Amazonas, foi o setembro com menos focos desde 2003. Quando a régua é a média de 2010 a 2024, os dois estados continuam abaixo do padrão histórico, o Amazonas em 10% e o Pará em 42%, pelas contas do Ouviram.
| Estado | Setembro de 2025 | Setembro de 2026 |
|---|---|---|
| Pará | 2.967 | 5.224 |
| Amazonas | 942 | 3.726 |
| Bahia | 3.337 | 2.747 |
| Maranhão | 4.595 | 2.481 |
| Mato Grosso | 2.294 | 1.964 |
| Tocantins | 2.651 | 1.934 |
| Piauí | 2.147 | 1.848 |
| Minas Gerais | 2.897 | 956 |
No restante do país, o movimento foi o oposto. Os focos no Cerrado caíram 44%, de 14.543 para 8.104, e na Mata Atlântica a redução chegou a 62%. O Nordeste teve 29% menos fogo, e o Centro-Oeste, 42% menos.
As maiores quedas entre as regiões ficaram com o Sudeste e o Sul, de 74% cada. São Paulo contou 45 focos em todo o mês, contra 1.011 um ano antes. Minas Gerais recuou 67%, e Goiás, 74%. No Sul, foram 193 focos, ante 741 em setembro de 2025. A região vive agora o problema inverso: começou outubro sob chuva forte e com cheia no rio Uruguai.
Chuva no sul, seca no norte
A diferença entre as regiões acompanha o que os meteorologistas esperavam. O boletim de agosto do Programa Queimadas do INPE já apontava o El Niño em fase quente, com chance de ficar mais forte. O fenômeno costuma secar o norte do país e molhar o sul, como mostra a matéria sobre o El Niño de 2026.
A previsão de setembro a novembro, feita pelo CPTEC, pelo Inmet e pela Funceme, indicava chuva acima do normal no centro-sul. Para o centro-norte e o Nordeste, a tendência era de chuva abaixo do normal, com destaque para Pará, Roraima, Amazonas, Amapá, Rondônia e Bahia, segundo o INPE.
Outubro começou no mesmo ritmo. De 1º a 6, o satélite de referência registrou 5.859 focos, 25% menos que os 7.769 do mesmo período de 2025, segundo os dados do INPE. O número é preliminar, e o dia 6 ainda pode receber registros.
O mês costuma ter cerca de metade das queimadas de setembro: a média entre 2010 e 2024 é de 32.806 focos, pelas contas do Ouviram com dados do INPE. Com a volta das chuvas, o risco tende a diminuir no Brasil central. O norte segue em alerta em outubro e novembro, quando ainda não chove o suficiente na Amazônia.
A análise oficial sai no Infoqueima, o boletim que o INPE publica todo mês sobre o mês anterior. A edição de setembro deve trazer a comparação por estado e por bioma com a média histórica.
Quem vê fogo em mata, pasto ou terreno pode pedir ajuda de graça. Para chamas perto de casas ou estradas, o número é o 193, do Corpo de Bombeiros. A denúncia ambiental é recebida pelo Ibama no 0800 061 8080, de segunda a sexta, das 7h às 19h, ou pela plataforma Fala.BR, com ou sem identificação. Se há risco para moradores, a Defesa Civil atende pelo 199. Ao avisar, informe o local mais exato possível e não se aproxime das chamas. Em dia de tempo seco, não queime lixo nem folhas.
Como o Ouviram fez a conta. O INPE usa imagens de 11 satélites. O Ouviram baixou os arquivos de focos do instituto e contou só os do satélite de referência, o mesmo critério dos boletins oficiais. Para setembro de 2026, valeu o arquivo mensal publicado pelo INPE, com dados de 1º a 30 de setembro; para os anos anteriores, as séries anuais de 2003 a 2025. A conta confere com os números oficiais: 28.214 focos em setembro de 2025 e média de 59.131 entre 2010 e 2024, os mesmos do boletim do instituto.
1. Quantos focos de queimadas o Brasil teve em setembro de 2026?
Foram 24.382 focos pelo satélite de referência, segundo dados do INPE. 59.131 é a média de setembro de 2010 a 2024, e 83.154 foi o total de setembro de 2024.
2. Qual bioma teve mais focos em setembro de 2026?
A Amazônia teve 12.562 focos, mais da metade do total do país, segundo dados do INPE calculados pelo Ouviram.
3. Qual é o número do Corpo de Bombeiros para avisar sobre fogo em mata?
O número dos Bombeiros é 193. O 190 é da Polícia Militar e o 192, do Samu.
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Perguntas frequentes
Quantas queimadas o Brasil teve em setembro de 2026?
Foram 24.382 focos detectados pelo satélite de referência do INPE, segundo os dados abertos do instituto. O número é preliminar e o menor para setembro desde 2003.
Qual estado teve mais queimadas em setembro de 2026?
O Pará, com 5.224 focos, seguido do Amazonas, com 3.726, e da Bahia, com 2.747, segundo os dados do INPE.
Por que as queimadas aumentaram no Amazonas?
O INPE aponta chuva abaixo da média no norte do país e o El Niño em fase quente, o que deixa a vegetação mais seca. A previsão para setembro a novembro indicava chuva abaixo do normal no Pará, no Amazonas, em Roraima, no Amapá e em Rondônia.
Como denunciar uma queimada?
Em caso de fogo, ligue 193 para o Corpo de Bombeiros. A denúncia ambiental pode ser feita ao Ibama pelo 0800 061 8080, de graça, ou pela plataforma Fala.BR, com ou sem identificação.
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