Litoral catarinenseNotícia
Itapoá ganha 8,8 km de orla alargada com areia tirada do fundo da Baía da Babitonga
A obra usou 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos da dragagem do canal da Baía da Babitonga, segundo o Porto de São Francisco do Sul. Restinga e dunas estão sendo recompostas na nova faixa de areia.

O alargamento da praia de Itapoá foi concluído, e a cidade do litoral norte de Santa Catarina ganhou 8,8 km de orla recomposta. A draga Galileo Galilei terminou o trabalho com 7 milhões de metros cúbicos de areia tirada do fundo da Baía da Babitonga, informou o Porto de São Francisco do Sul na terça-feira (6).
Segundo o porto, é a maior obra de engordamento de praia já feita no país em extensão. Engordamento é o nome técnico do alargamento da faixa de areia com sedimento trazido de outro ponto, usado para conter a erosão do mar.
A obra reverte a erosão que vinha estreitando a orla de Itapoá, segundo o porto. Com a faixa de areia mais larga, a cidade ganha mais segurança contra o avanço do mar, e moradores e turistas ganham mais espaço na praia.
A areia não veio de jazida nova. Ela saiu da dragagem que aprofunda o canal de acesso à Baía da Babitonga, por onde passam os navios dos portos da região. Segundo o porto, foi a primeira vez no Brasil, e a segunda no mundo, que sedimento de dragagem portuária foi usado para alargar uma praia.
"Socialmente, aumenta a segurança costeira, preserva o acesso público às praias e fortalece a resiliência da comunidade frente aos riscos climáticos", disse o presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira, em nota divulgada pelo governo de Santa Catarina.
O que foi feito, praia por praia
O trabalho começou em outubro de 2025 na Praia Pontal do Norte. Depois seguiu para a Praia Princesa do Mar e terminou na Praia Figueira do Pontal, completando os 8,8 km.
A obra não termina na areia. O projeto prevê recompor a restinga, a vegetação nativa que segura as dunas, ao longo de toda a orla. Até agora, foram plantadas 210 mil mudas de seis espécies em 31 áreas, de um total previsto de 300 mil mudas, segundo o porto.
Fonte: Porto de São Francisco do Sul, 6 de outubro de 2026
Também está sendo formado um cordão contínuo de dunas, com 1 metro a 1,5 metro de altura e cerca de 26 metros de largura. Cercas ecológicas, passarelas elevadas e placas de sinalização completam a estrutura, que ajuda a fixar a restinga e a manter a nova faixa de areia no lugar.
Quanto custa e quem paga
A dragagem de aprofundamento do canal da Babitonga está orçada em R$ 333 milhões. O terminal privado de Itapoá financia R$ 300 milhões, e o Porto de São Francisco do Sul, público, entra com R$ 33 milhões, segundo o porto.
Pelo acordo, o terminal privado recebe o valor de volta em parcelas até 2037. O ressarcimento vem de um adicional nas tarifas portuárias, cobrado sobre o aumento de navios e de carga depois que o canal ficar mais fundo. Segundo o porto, é a primeira vez no Brasil que um porto público contrata uma obra desse tipo com um porto privado.
Como calculamos: o Ouviram dividiu o volume de areia pela extensão da orla. Os 7 milhões de metros cúbicos correspondem, em média, a cerca de 795 metros cúbicos por metro de praia, o suficiente para encher mais de 300 piscinas olímpicas, de 2.500 metros cúbicos cada, a cada quilômetro.
O que muda para quem mora e para quem visita
Para quem mora em Itapoá, a nova faixa de areia funciona como uma barreira natural entre o mar e as casas e ruas da orla. Para o turismo, a praia mais larga chega antes do verão, quando o litoral catarinense recebe mais visitantes.
O presidente do porto também apontou o efeito econômico. "E economicamente, fortalece o turismo, protege ativos costeiros e demonstra como investimentos portuários podem gerar valor além dos limites operacionais", disse Cleverton Vieira na nota.
Para os navios, o ganho vem com o canal mais fundo. Segundo o porto, o aprofundamento vai eliminar a necessidade de parada intermediária das embarcações que operam em São Francisco do Sul, com economia estimada de R$ 20 milhões por ano.
Se você vai a Itapoá
- Respeite as dunas e a restingaUse as passarelas elevadas para chegar à areia e não pise nas áreas cercadas, onde as mudas estão crescendo.
- Fique atento à sinalizaçãoAs placas ambientais indicam acessos e áreas em recuperação.
- Leve o lixo de voltaA restinga recém-plantada é sensível ao pisoteio e a resíduos.
Faltam 90 mil das 300 mil mudas de restinga previstas, segundo o porto, e o cordão de dunas segue em implantação. As cercas, passarelas e placas fazem parte dessa etapa final.
O litoral de Santa Catarina tem outras novidades para quem viaja: a partir de novembro, voos regionais do VOA + SC ligam Joinville, a maior cidade do norte catarinense, a Florianópolis e a Jaguaruna. Para quem vai à capital, o Ouviram tem um guia das praias de Florianópolis.
1. Quantos quilômetros de orla foram alargados em Itapoá?
Segundo o Porto de São Francisco do Sul, a recomposição cobriu 8,8 km de orla.
2. Quantas mudas de restinga o projeto prevê plantar?
O projeto prevê 300 mil mudas; 210 mil já foram plantadas em 31 áreas.
3. Em que baía foi feita a dragagem que forneceu a areia?
A areia veio da dragagem do canal de acesso à Baía da Babitonga, no norte de Santa Catarina.
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Perguntas frequentes
O que é engordamento de praia?
É o alargamento da faixa de areia com sedimento trazido de outro lugar, para recuperar praias atingidas pela erosão. Em Itapoá, a areia veio do fundo da Baía da Babitonga.
Quais praias de Itapoá foram alargadas?
A obra começou em outubro de 2025 na Praia Pontal do Norte, seguiu para a Praia Princesa do Mar e terminou na Praia Figueira do Pontal, num total de 8,8 km.
De onde veio a areia do alargamento de Itapoá?
De 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos retirados na dragagem de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, feita pelo Porto de São Francisco do Sul.
Quem pagou a obra de dragagem da Babitonga?
A dragagem está orçada em R$ 333 milhões. O terminal privado de Itapoá financia R$ 300 milhões, a serem devolvidos em parcelas até 2037, e o porto público entra com R$ 33 milhões.
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